Nos Estados Unidos desde janeiro, Mario Bento fala sobre fase atual de sua carreira

Um dos principais nomes do futebol americano do Paraná, o ex-head coach do Tigers Football e coordenador de ataque da Seleção Paranaense Sub19 de Futebol Americano, Mario Bento, atualmente é o técnico de running backs e kickers na Southeastern University, na cidade de Lakeland, Florida, nos Estados Unidos. Com planos de ficar lá por mais dois anos, o coach Mario conversou conosco e nos contou um pouco mais de como tem sido a sua experiência nas terras do tio Sam.

Mario Bento 03

No Brasil, Mario Bento foi head coach do Tigers Football e, ao lado de Lucas Lima e Eduardo Aguiar, foi o responsável (pelo lado do Tigers) pela fusão da equipe com o Paraná HP. Após isso, atuou por um pequeno período como coordenador de ataque da comissão técnica comandada pelo Carlos Copi.

Além das equipes, coach Bento foi campeão nacional com a Seleção Paranaense sub19 de Futebol Americano, atuando também como coordenador de ataque da equipe. O bom trabalho feito com os jovens, conhecido desde os tempos de Tigers Football, levou o técnico a ser nomeado como técnico da linha defensiva da seleção brasileira sub19. Mas, como o mundial da categoria não se efetivou, Mario nunca chegou a atuar nesta função.

Confira abaixo o bate-papo que tivemos com o técnico:

Como está sendo este momento pra você? Quais são as fontes de renda?

“Em troca do meu trabalho como coach, eles pagam meu mestrado em Teologia (Master of Divinity) e recebo um valor mensal. É como estar vivendo um sonho, literalmente. Nós viemos para cá devido a vários milagres que aconteceram – e continuam acontecendo. Deus vem cuidando de tudo com tudo, tudo o que eu e minha esposa pedimos a Deus nos últimos três anos está se cumprindo.”

Qual o tamanho do aprendizado pessoal essa experiência está te trazendo?

“A curva de aprendizado quando saímos do pais já aumenta demais, não importa onde vamos, ou por que. Pelo simples fato de estar em uma cultura diferente seus horizontes se abrem. Tenho aprendido muito sobre a cultura americana e como o americano lida com as situações e, felizmente, é bem parecido de como eu vejo o mundo, por isso não tem sido tão difícil essa parte.

Na questão do esporte, tenho aprendido muitos processos que o futebol americano universitário requer para funcionar. É muito mais do que ‘X´s and O´s’, principalmente nesta etapa do ano. Estamos entrando agora no verão, não iremos ver nossos atletas por quase três meses, então estamos focados em recrutar e cuidar de outras responsabilidades que não tem a ver diretamente com football, mas que sem elas o football não acontece, como por exemplo verificar se todos os documentos de nossos atletas estão em dia (desde documentos da liga até as próprias aulas). São vários requerimentos que um atleta precisa ter para estar apto para jogar, como por exemplo a quantidade de aulas que ele foi aprovado. Fazer parte de uma comissão técnica que tem muita experiência e é bem diversa em termos de idades é uma fonte de aprendizado muito grande também”.

Conta pra nós sobre o desempenho dentro de campo da sua equipe?

A Southeastern University foi campeã de conferencia nos últimos quatro anos, mas, por uma questão de votação acabamos não indo para os playoffs ano passado (esse sistema de votação é usado aqui requer muita explicação para entender, não vale a pena agora). No momento estamos na pré-temporada, nosso primeiro jogo do ano será 7 de setembro e aí a temporada continua sem parar, todo final de semana, até meados de novembro, para então chegar aos playoffs.

Nosso RB Bryan Bell correu para 1060 jardas no ano passado, com 117,8 jardas por jogo, e tivemos 11 jogadores nominados como destaque da Mid-South All-Conference Sun Division. Junto com ele também trabalho com outros RB que irão fazer um ótimo trabalho este ano, nossos skill players farão muita diferença.

 

E como a universidade tem avaliado seu trabalho?

No primeiro dia quando eu cheguei aqui, falei que estava aqui para servir, e essa tem sido a diferença, se colocar em um lugar de serviço para poder ajudar aqueles que precisam, seja um atleta ou um coach, é a chave para poder tocar vidas e fazer a diferença. Me parece que estão gostando do trabalho.

O que você vê de diferença entre o FA aí dos USA e o que temos aqui no Brasil?

Bom, vou tentar não responder clichê. É obvio que a estrutura de uma maneira geral é o que mais impacta, tudo aquilo que o dinheiro pode comprar basicamente. Mas gostaria de ir além um pouco, se possível. Para mim duas coisas fazem a maior diferença: o conhecimento e/ou experiência dos coaches assim como a quantidade de coaches por equipe; a seriedade que os programas colocam na preparação física do atleta. Não iremos falar de motivos de por que acontece ou não no Brasil, mas o quanto os atletas são comprometidos com a academia e em cuidar de seu corpo para poder desempenhar em alto nível é muito diferente.

Até quando pretende ficar por aí?

No mínimo 2 anos. Mas ou planos de Deus são maiores que os nossos, então estamos sempre atentos para ver o que Deus quer de nós e prontos para obedecer.

(Fotos: Arquivo Pessoal / Mario Bento)

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